Cadê o rock campineiro?

Campinas é a maior cidade do interior brasileiro e possui mais de um milhão de moradores. Por isso, eu afirmo: o rock não morreu.

Embora o sertanejo universitário tenha ocupado o espaço de muitos estilos musicais, tornando-se altamente lucrativo para as casas noturnas, ainda há espaço para o rock.

Até o século XX, as grandes mídias ainda faziam propagandas positivas do Rock. A partir daí, a mídia mainstream foi perdendo a identidade, sofreu uma forte mudança para se adaptar ao modismo. Estilos musicais, como o axé, funk, sertanejo e o pop conquistaram o seu espaço, antes ocupado pelo rock. Com isso, muitas casas noturnas que se dedicavam à um som mais pesado não resistiram, algumas se adaptaram e poucas firmaram suas raízes e mantiveram o público fiel até hoje.

Essa inconstância na cena do rock trouxe muitas consequências, por exemplo, muitas bandas – para sobreviver – perderam a essência e foi mudando a identidade do seu ritmo musical para buscar um lugar visível na mídia. Tanto os músicos, como as casas noturnas, se converteram ao modismo ao dar prioridades ao lucro, ao sucesso, do que ao amor pela música.

Um série de elementos levaram à essa condição: a pouca exigência musical, a percepção do que era popular, com letras sem sentido geravam lucratividade e a facilidade da mídia de transformar algo em um sucesso instantâneo.

Atualmente, cerca de 15 bares e casas de show voltadas para o público roqueiro marcam presença na noite campineira. Um número considerado relativamente bom em relação às tendências do mercado. O Rock em Campinas continua vivo, porém a iniciativa de realizar um festival como antigamente vem se tornando cada vez mais escassa. Falta atitude.

O festival JuntaTribo, realizado em 1993, foi um dos mais importantes eventos independentes da década de noventa, por exemplo. A segunda edição, em 1994, teve mais bandas e maior divulgação inclusive pela MTV-Brasil. Bandas como Raimundos e Planet Hemp, que hoje são conhecidas pelo Brasil inteiro, ainda faziam parte do cenário underground e foram notados à partir deste festival.

Outro exemplo mais recente foi o festival AutoRock que teve início em 2003 como uma comemoração dos 10 anos do primeiro festival Juntatribo. O objetivo era trazer para Campinas a cultura rock de bandas independents e autorais. Foram realizadas também outras edições do AutoRock nos anos de 2004, 2005, 2008, 2009 e 2011.

Enfim, essa limitação não é a morte do rock. Isso jamais vai acontecer, embora a cena mainstream tenha banalizado o estilo e suas vertentes. Enquanto houver campineiros adoradores dessa arte, a chama do bom e velho rock’n’roll nunca se apagará.

Mídia, me dê fama, depois me difama. Me põe lá no topo, me atira na lama. Pois tudo é possível com mídia e com grana. Quem hoje te odeia, amanhã te ama – Gaia Rock Band – Mídia

– Por Cinthia Freire

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s