Cambuí, o velho Novo Setor boêmio de Campinas

A história dos bares de Campinas passa obrigatóriamente pelo Cambuí, seja nos dias atuais como em décadas passadas, podemos dizer que o bairro é e sempre foi o reduto da boemia campineira.

A popularização do Cambuí tem início nos anos 80, quando um grupo de amigos resolvem abrir novos bares na região do Centro de Convivência, com o diferencial de apresentações musicais ao vivo, algo que até então não era comum. Campinas nesta época já era conhecida como uma cidade universitária, que recebia estudantes de todo o Brasil. E estes estudantes começaram a se reunir nos bares próximos transformando a região no principal ponto de encontro, em uma destas noites numa roda de amigos ouve-se pela primeira vez o termo Broadway campineira, porque segundo eles encontrava-se todo tipo de gente naquele “Setor”, sem perceber esse grupo de amigos criaram o nome de um dos pontos mais tradicionais e marcantes da história de Campinas.

mapa setor

O “Setor” nasceu a partir do fracasso de um bar. Quando o Centro de Convivência foi inaugurado tentou-se complementar as atividade culturais e de lazer com o bar Pantheon, batizado em grego seguindo a linha arquitetonica do Teatro de Arena. Quando o Pantheon fechou a boemia intelectualizada que frequentava o bar migrou para outos dois bares: City Bar e Paulistinha.

Durante seu auge o “Setor” era o reduto dos jovens campineiros com diversos bares como o Contra Mão Espaço e Bar na rua Gal. Osório, ao lado tinhamos o Paulistinha, um quarteirão abaixo tinha o Natural ao lado do City Bar, que exite até hoje. Na rua Benjamin Constant eram cinco bares vizinhos, o Lanchonete na esquina com a Avenida Julio de Mesquista, Candeeiro, Skidabã, Ilustrada e Caicó.

Com a passar do tempo o “Setor” começou a crescer passando a impressão que estava acabando, na medida que bares da rota tradicional Julio de Mesquita, Gal. Osório e Benjamin Constante foram fechando, novos bares eram abertos num raio maior. Assim um dos primeiros a sair de rota foi o Maracujá, na Emílio Ribas, o Luz Del Fuego, na rua Dom Pedro, a Choperia Keller, na rua Cel. Quirino.

O fim do “Setor” tradicional chegaria nos anos seguintes, quando alguns dos bares passaram a fechar mais cedo por motivos de segurança, o City Bar por exemplo passou e encerrava seu atendimento as 22 horas. Bares foram fechando devido a queda de público, e em meados de 1996 uma lei aprovada pelo ex-prefeito Edivaldo Orsi acabaria por decretar a falência do “Setor”, a lei dizia que bares sem isolamento acústico estavam proíbidos de ter música ao vivo após as 22 horas. Como a maioria dos bares tinham música ao vivo e nenhum tinha o isolamento exigido acabaram se adaptando e passaram a fechar as 22 horas. O público que já era reduzido passou a buscar as novas casas noturnas que surgiam na região, que ofereciam música até altas horas.

Nos dias atuais o “Setor” virou história, mas enraizou hábitos na população de Campinas que são visiveis até hoje. Novos bares abrem e fecham com uma frequencia talvez até incomun, se comparado a outras cidades, Mas ao mesmo tempo a tradição permanece viva numa região que hoje é chamada de “Cambuí”, localizado entre as Avenidas Norte-Sul,  Moraes Sales, Julio de Mesquita e Orozimbo Maia.

Novo Setor

Novo “Setor”

Talvez seja pela localização em uma area nobre da cidade que os bares são centralizados em busca de um público com maior poder financeiro, que vai de encontro com o desejo dos frenquentadores, que buscam além de diversão o status de ir ao “Cambuí”, sejam eles estudantes ainda vindos de outras cidades e moradores de Campinas e Região, que atualmente frequentam as dezenas de bares espalhados pelas ruas do “Novo Setor”.

– Por Marcelo Cabral

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Cadê o rock campineiro?

Campinas é a maior cidade do interior brasileiro e possui mais de um milhão de moradores. Por isso, eu afirmo: o rock não morreu.

Embora o sertanejo universitário tenha ocupado o espaço de muitos estilos musicais, tornando-se altamente lucrativo para as casas noturnas, ainda há espaço para o rock.

Até o século XX, as grandes mídias ainda faziam propagandas positivas do Rock. A partir daí, a mídia mainstream foi perdendo a identidade, sofreu uma forte mudança para se adaptar ao modismo. Estilos musicais, como o axé, funk, sertanejo e o pop conquistaram o seu espaço, antes ocupado pelo rock. Com isso, muitas casas noturnas que se dedicavam à um som mais pesado não resistiram, algumas se adaptaram e poucas firmaram suas raízes e mantiveram o público fiel até hoje.

Essa inconstância na cena do rock trouxe muitas consequências, por exemplo, muitas bandas – para sobreviver – perderam a essência e foi mudando a identidade do seu ritmo musical para buscar um lugar visível na mídia. Tanto os músicos, como as casas noturnas, se converteram ao modismo ao dar prioridades ao lucro, ao sucesso, do que ao amor pela música.

Um série de elementos levaram à essa condição: a pouca exigência musical, a percepção do que era popular, com letras sem sentido geravam lucratividade e a facilidade da mídia de transformar algo em um sucesso instantâneo.

Atualmente, cerca de 15 bares e casas de show voltadas para o público roqueiro marcam presença na noite campineira. Um número considerado relativamente bom em relação às tendências do mercado. O Rock em Campinas continua vivo, porém a iniciativa de realizar um festival como antigamente vem se tornando cada vez mais escassa. Falta atitude.

O festival JuntaTribo, realizado em 1993, foi um dos mais importantes eventos independentes da década de noventa, por exemplo. A segunda edição, em 1994, teve mais bandas e maior divulgação inclusive pela MTV-Brasil. Bandas como Raimundos e Planet Hemp, que hoje são conhecidas pelo Brasil inteiro, ainda faziam parte do cenário underground e foram notados à partir deste festival.

Outro exemplo mais recente foi o festival AutoRock que teve início em 2003 como uma comemoração dos 10 anos do primeiro festival Juntatribo. O objetivo era trazer para Campinas a cultura rock de bandas independents e autorais. Foram realizadas também outras edições do AutoRock nos anos de 2004, 2005, 2008, 2009 e 2011.

Enfim, essa limitação não é a morte do rock. Isso jamais vai acontecer, embora a cena mainstream tenha banalizado o estilo e suas vertentes. Enquanto houver campineiros adoradores dessa arte, a chama do bom e velho rock’n’roll nunca se apagará.

Mídia, me dê fama, depois me difama. Me põe lá no topo, me atira na lama. Pois tudo é possível com mídia e com grana. Quem hoje te odeia, amanhã te ama – Gaia Rock Band – Mídia

– Por Cinthia Freire

A linha do tempo traz de uma forma geral e sucinta os principais fatos e eventos da história do Rock. Confira essa trajetória marcante que serviu de alicerce para a conclusão do OdisseiaDoRock

linha do tempo

1947 – A união do blues e da música country cria um novo gênero musical.
1950 – Este novo gênero recebe o nome de Rock and roll.
1953 – Elvis surge para o mundo e torna-se o rei do rock.
1959 – O Rock desembarca no Brasil.
1960 – Surge a Jovem Guarda.
1962 – Surge o quarteto musical mais bem-sucedido e aclamado da história do Rock, The Beatles.
1963 – Início da Beatlemania.
1968 – O Rock desenvolve diferentes subgêneros – folk rock, blues rock e o jazz-rock.
1969 – Acontece a primeira edição do festival Woodstock.
1970 – Popularização do Rock.
1980 – Era de Ouro do rock nacional.
1980 – O Heavy Metal e suas vertentes ganham popularidade.
1980 – Acontece a primeira edição do festival Monster of Rock (Inglaterra).
1985 – Acontece a primeira edição do festival Rock In Rio no Brasil.
1985 – Auge do Setor.
1990 – Surge o Grunge, Britpop, Indie e New Metal. Com eles, a modernizaçãoo do rock, misturando ritmos eletrônicos.
1990 – Acontece a primeira edição do festival Wacken na Europa.
1991 – Acontece a primeira edição do Lollapalooza em Chicago.
1993 – Primeira edição do festival Juntatribo, realizado em Campinas com cobertura nacional.
1994 – Primeira edição do festival Monster of Rock (Brasil)
1994 – Primeira edição do festival Juntatribo, realizado em Campinas com cobertura nacional.
1996 – Primeira edição do festival do Ozzyfest nos EUA.
1999 – Primeira edição do festival Coachella.
2000 – Com o pop em alta, o rock vai perdendo aquela grande força na mídia
2004 – Primeira edição do festival Rock In Rio em Portugal.
2012 – Primeira edição do festival Lollapalooza no Brasil.
2013 – Quarta edição do festival Rock In Rio.

Irish Pub – A Pirata do Rock

Em 2009 inaugurou o primeiro Pub de Campinas. Trata-se do Grainne’s Irish Pub, um legítimo Pub Irlândes.

É perceptível a influência Irlandesa desde a origem do próprio nome do estabelecimento, até a decoração e estrutura do ambiente.

Grace O’Malley, conhecida como Gráinne, pertencia à nobreza irlandesa.  Ela era uma pirata que comandou um grupo de 200 marinheiros. Morreu aos 73 anos lutando por seus direitos contra seus inimigos irlandeses e ingleses.

Os grandes feitos de Gráinne foram muitos, o suficiente para carregar a honra de “a mais conhecida capitã” e “uma notável mulher de toda a costa irlandesa”. Foi considerada uma Rainha Pirata e lutou pela libertação da Irlanda.

Contudo, Grainne’s, é uma homenagem à Grace O’Malley e o brasão do logotipo carrega a imagem de uma pirata.

Foto: Rafael Ribeiro

Foto: Rafael Ribeiro

A decoração é impecável e segue fielmente a temática Irlandesa. Com a estrutura e os móveis de maneira escura, paredes decoradas com bandeiras e placas de publicidade de vários países europeus, garrafas de cervejas estrangeiras, balcões rústicos para caracterizar os antigos pubs irlandeses, mesa de sinuca, jogo de dados e telões.

Sem se esquecer da grande atração do pub, que é a música ao vivo, no qual o estilo predominante é o rock. O palco é localizado sobre o bar e se instala escondido por trás do espelho. Ao iniciar o show, suspende o espelho automaticamente, deixando a banda à mostra, surpreendendo e agitando o público presente. Há quatro ambientes espaçosos, onde o público pode circular por todas as áreas, sendo algumas mais fechadas e outras a céu aberto.

O som ambiente é recheado de músicas do bom e velho rock’nroll. Diversas bandas covers de rock internacional se apresentam no bar de quarta à sábado. Muitas vezes, bandas do underground brasileiro fazem shows com músicas autorais.

Entre inúmeros covers de bandas consagrados do rock que já passaram pelo palco do Pub, destacam-se Oasis, Guns N’ Roses, Bon Jovi, Foo Fighters, Rolling Stones, ACDC, The Beatles, Queen e Kiss.

Atualmente, em Campinas, é um dos lugares mais indicados para os amantes do rock’nroll.

Bar do Zé – Ambiente Underground

Em 1999, nasceu o Bar do Zé (BDZ), com o objetivo de oferecer mais rock alternativo à Barão Geraldo, e principalmente, aos estudantes da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

O ambiente underground é divido por três áreas, uma com mesas e cadeiras típicas de “boteco” é a área principal, uma sala com mesa de sinuca e um outro ambiente com baixa iluminação, onde localiza-se o palco, a cabine do dj e balcões por toda extensão das paredes laterais.

A decoração é uma das características mais marcantes da casa. Quadros, pôsters, cartazes, páginas de jornais e gibis percorrem por todas as paredes da área principal e do banheiro.

A discotecagem é marcada por grandes nomes do rock alternativo. Para a alegria dos roqueiros de Campinas, o BDZ é uma casa que prestigia muitas bandas independentes da cidade e região, já passaram por lá: autoramas, huaska, forgotten boys, violentures, the eternals, rancore, circus boy, lisabi, entre outros. Consta nas programações semanais muitos covers de clássicos do rock, porém há também espaço para o samba-rock e a black music.

Milton de Oliveira, proprietário do Bar do Zé, enfatiza que cada show realizado na casa é o auge da história que se renova permanentemente. Quanto a isso, não resta dúvida, a casa está sempre lotada de roqueiros à procura de música boa e por um ambiente descontraído e diferenciado.

“O Rock é Imortal” Milton de Oliveira

The Best Guns N’ Roses Cover

The Best Guns N’ Roses Cover formada há 10 anos é considerada a melhor banda cover do Guns N’ Roses.

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Foto: Mirela Bacco

Confira uma entrevista com o Campineiro Bruno Carmo, guitarrista da banda:

Como a banda surgiu?
Surgiu há 10 anos reunindo a galera que estava afim de tocar um som em comum e acabaram dando continuidade até hoje passando por inúmeras formações e trocas de integrantes.

Quais suas maiores influências musicais?

Slash, Jack White, Dimebag Darrel, Zakk Wylde, Angus Young e John Frusciante.

Qual o estilo da banda?

Hard Rock

Quais locais em Campinas a banda já se apresentou?

Hangover, Zirigdum, Hammer (essas já não existem mais) , Mog, Grainnes, Sebastian Bar e Woodstock.

Qual a situação atual da banda?

Estamos na ativa, negociando com casas de show do país inteiro para sempre estar na estrada e tocando.

Qual o futuro que você busca para a banda?

Manter esse pique na estrada o máximo possível.

Como você enxerga o cenário atual do Rock em Campinas?

É um grupo bem pequeno e a maior parte do público não acompanham as bandas e as prestigiam como deveriam.

O que falta na cidade de Campinas em comparação ao cenário que tínhamos na década de 90?

Falta mais vontade do público ouvir uma banda de qualidade. Hoje em dia o pessoal se contenta com qualquer coisa, então o nível cai e com tantas limitações quem sai perdendo é quem gosta da música de verdade.

O bom e velho rock’n’roll está morrendo?

Só para os babacas.

 

 

Delta Blues – Sobrevivente do Rock

Vários anos se passaram desde a inauguração do Delta Blues, em julho de 1992. Apesar de algumas mudanças no cenário do Rock em Campinas, a identidade e o público permanecem até hoje, assim como a sua localização. O Delta Blues, talvez, seja um dos últimos bares campineiros especializados em rock/blues. Desde sua fundação, no auge do cenário do rock em campinas, o bar ficou conhecido por ser uma casa que aproximava o público de suas bandas favoritas.

Com sua programação, principalmente, focada em cover e em uma época em que grandes bandas de rock dificilmente inseriam o Brasil em sua turnê, o Delta preenchia esse espaço do povo campineiro com ótimas bandas.

O tempo passou, e hoje, prestes a comemorar 21 anos, se tornou um dos espaços mais tradicionais de Campinas. Não é difícil em uma quinta-feira encontrar a casa lotada após a meia noite.

Para o sócio – proprietário do bar, Alexandre Rodrigues, o que mantém o Delta vivo até hoje, é a carência da cidade por mais lugares do mesmo segmento, “o rock campineiro não acabou, o que faltam são mais casas darem espaço à ele”, diz.

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Foto: Marcelo Cabral

A cerveja com um preço justo, o ambiente considerado por alguns pequeno e o público sempre reunido pelo mesmo propósito, tomar cerveja e ouvir rock, transformaram o ambiente em algo único.

De quinta a sábado sempre à partir das 22 horas, centenas de pessoas se reúnem para ouvir Classical Queen (Queen), Rising Power (AC/DC) e Silverbeatles (Beatles), que são as bandas mensalmente garantidas. Além de cover, o Delta também abre espaço para bandas que tocam músicas autorais.